Marden quebra silêncio, questiona processo para escolha de Nita e rebate Jeferson: ‘Não houve consenso’

Esta é a primeira vez em que o vereador licenciado fala publicamente sobre os detalhes no processo de sucessão do prefeito.

Após romper com governo, Marden diz que vai coletar assinaturas para abrir duas CPIs -Foto Reprodução Facebook.

O vereador licenciado e atual Secretário de Cultura e Turismo, Marden Lessa (PCdoB) rebateu na noite de terça-feira (21) as declarações do prefeito Jeferson Andrade (PP), que afirmou que é  ‘criticado pelo excesso de democracia’ após a escolha de Nita como pré-candidata à prefeita de Madre de Deus.

“Primeiro dizer ao prefeito que respeito a fala dele, mas desconheço esse processo democrático, desconheço isso. O compromisso foi de que o nome que tivesse melhor nas pequisas [seria escolhido como sucessor de Jeferson]. Você deixar que as pessoas coloquem o nome não significa que você é democrático”, disse Marden durante entrevista ao Bahia Manchetes após participar de uma reunião com PCdoB na Câmara Municipal.

Esta é a primeira vez em que o vereador licenciado fala publicamente sobre os detalhes no processo de sucessão do prefeito.

Marden afirmou que num processo democrático é preciso dar condições iguais para todos que participaram da disputa: “E a gente viu que não funcionou dessa forma”.

Ele também reafirmou sua pré-candidatura com apoio do partido comunista, destacando que não se trata de um projeto pessoal.

“Não é um projeto de Marden, não é um projeto de Melk, é um projeto de grupo, é um projeto do partido e acima de tudo, um projeto da comunidade. Não fiz lançamento da minha pré-candidatura. E foi a comunidade que dizia e vem dizendo nas ruas que queria me ver como prefeito e eu resolvi colocar o nome para ser testado”.

Discorrendo em seguida sobre dificuldades que foram criadas pelo governo para enfraquece-lo na disputa.

“Algumas ações que foram feitas politicamente, foi pra nós esvaziar e até mesmo pra nos desidratar. Isso foi claro, foi bem claro isso pra mim. Agora assim, é preciso que o jogo, seja jogado limpo e quando o jogo é jogado limpo, a gente não tem medo de jogar ele. Então a todo momento eu joguei limpo com as pessoas”, disse Marden.

Ele acresenta que respeita às decisões do governo, apontando que o nome para sucessão do gestor estava pré-determinado no grupo político antes da disputa interna.

“Eu cheguei num momento, a apertar a mão de um membro do processo político e dizer a ele: ‘se ele queria apostar comigo, que eu sabia quem seria a candidata do grupo’. Porque estava claro isso pra todos, o mais leigo da política via isso. Todo esvaziamento foi feito comigo, eu fui no PSD com Otto Alencar. Otto Alencar garantiu apoio ao PCdoB, depois veio a pérola de lançar nosso amigo Noronha pré-candidato à prefeito. Nada contra Noronha”, diz. E completa: “Mas Noronha não tinha um nome construído politicamente dentro da cidade, e o então deputado estadual [Nilton Bastos] junto com o prefeito lançaram o nome de Noronha como pré-candidato, dando mais uma demonstração de que o nosso nome não seria escolhido. Porque a gente não entende, porque a gente tinha 15% e a gente não foi escolhido”, lembra.

Segundo ele, o nome de Nita não cresceu nas pesquisas e justifica que os números apenas foram invertidos por conta dos direcionamentos que foram feitos.

Marden descartou a possibilidade de composição com Nita, disse ainda, que a pré-candidata deve buscar um vice na oposição e a oposição precisa de um nome da situação.

“Porque eles [do grupo situacionista] mostraram desde o início que eu não seria o nome do grupo. Então eu não entendo se eu não presto pra ser o pré-candidato à prefeito pontuando bem. Eu não entendo porque eu presto para ser o vice ou até mesmo o candidato a reeleição da vereança”, disse.

O comunista acredita que os pré-candidatos precisam debater entre eles e rechaça intervenções de Jeferson e Nilton.

“Eu acho que essa conversa não deve ser mais nem com prefeito, nem com Niltinho. Essa conversa hoje tem que partir de ser com Nita, tem que partir de ser com Dailton [Filho] ou com próprio Jailton [Polícia]. Uma vez que a gente enquanto pré-candidato tem que se colocar à disposição de conversar com todas às forças. Vale ressaltar, inclusive, a conversa até com o próprio Sinho [Ivanilson Souza] que foi um nome incentivado pelo próprio prefeito também, e que, depois caiu no esquecimento de nem ser chamado pro diálogo, pro debate dentro do grupo”, asseverou.

Marden declara ainda que não vê esse discurso de composição como verdade, disse ainda, que essa foi uma forma do governo ponderar o embate para evitar o que ele descreveu como “princípio de incêndio”.

“Não existiu consenso, o prefeito fez uma reunião com cinco secretários políticos: dois optaram pelo meu nome, dois optaram pelo nome de Nita e um como sempre fica em cima do muro, disse que caminharia com o governo. Não houve consenso. Inclusive, no dia que o prefeito disse que iria lançar o nome dela, algumas pessoas desse núcleo duro político pediram que lançasse dia 3, que foi o combinado para que a gente pudesse encerrar as atividades a frente do Madre Music”, diz, acrescentando que o prefeito queria lançar logo o nome da candidata dele.

O comunista questiona ainda que o deixaram tomar folego, depois que perceberam que ele seria escolhido podaram seu nome na disputa.

“Todas as formas que eu poderia estar fortalecido, me tiraram. A única coisa que não conseguiram me tirar foi o Pastor Melk porque nós entendemos que somos um só, e que, separados a gente está morto politicamente. Então Melk fala por Marden e Marden fala por Melk. Não adianta, que não vão conseguir separar a gente. Então hoje a grande pérola desse processo político é o apoio de Marden e Melk, para algum candidato a prefeito, ou algum deles vir apoiar nosso nome, ou até mesmo Marden e Melk na governabilidade. Seja ela, garantido governabilidade ou não. É esse o processo que está instalado”, afirma.

Ele finaliza relatando que em uma “história existem três versões e cada um só vai contar o que é bom pra si”. A declaração faz referência as afirmações proferidas por governistas sobre o processo “democrático” para escolha de Nita.