
A oposição no Congresso Nacional apresentou requerimento para convocar uma sessão extraordinária ainda em janeiro com o objetivo de analisar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um projeto de lei que alterava critérios de dosimetria de penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
A iniciativa é liderada pela deputada Carol De Toni (PL-SC) e conta com apoio de parlamentares da bancada bolsonarista na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Para os autores do pedido, a Constituição permite a convocação extraordinária do Congresso em casos de urgência ou de relevante interesse público.
Segundo a parlamentar, a proposta vetada buscava rever condenações que, na avaliação da oposição, teriam sido marcadas por ilegalidades processuais e aplicação de penas consideradas desproporcionais. O texto aprovado pelo Congresso previa mudanças na forma de cálculo das penas e poderia beneficiar condenados pelos atos antidemocráticos, além de ter reflexos indiretos em processos que envolvem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O veto presidencial foi anunciado durante cerimônia realizada pelo governo federal para marcar os três anos dos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília. O Planalto justificou a decisão afirmando que o projeto contrariava princípios constitucionais e comprometia a responsabilização dos envolvidos nos atos golpistas.
Desde a promulgação da Constituição de 1988, o Congresso já foi convocado extraordinariamente em diferentes momentos, geralmente associados a crises institucionais, econômicas ou sanitárias. Um dos exemplos mais recentes ocorreu em 2020, quando deputados e senadores suspenderam o recesso parlamentar para votar medidas de enfrentamento à pandemia da Covid-19.
A eventual convocação da sessão extraordinária depende de decisão dos presidentes da Câmara e do Senado. Até o momento, não há data definida para a análise do requerimento, e o tema segue em articulação nos bastidores do Legislativo.

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