Flechas de Ouro completa 30 anos, pede paz no Carnaval e diz que tradição vem se perdendo em Madre de Deus

Bloco Flechas de Ouro desfilam no domingo e terça de Carnaval.

A matriarca da Família, dona Maria, posa ao lado do filho Luís Mario, com integrantes dos Flechas de Ouro.

Bloco Flechas de Ouro completou 30 anos de Carnaval este ano e pediu paz para foliões em Madre de Deus. Uma faixa estampada em frente à sede do bloco destacava a solicitação da maioria das pessoas que participaram da festa momesca na cidade: “Queremos paz”. Dona Maria Souza Santos, de 90 anos, 30 deles, dedicados aos Flechas de Ouro, reforça o pedido durante entrevista ao Bahia Manchetes.

“Queremos paz, que continue assim as tradições, que Deus é justo e sempre com a paz, Deus está na frente, queremos paz”, frisou.

A mensagem confronta os episódios de violência que afastam os foliões que vão para as ruas em busca de alegria na cidade-ilha.

De acordo com dona Maria, o bloco surgiu da união entre irmãos e primos, simbolizando a folia tranquila de antigos carnavais no município. Ela disse ainda que se sente muito bem após 30 anos do bloco e sentencia: “Enquanto eu for viva, vai pra rua”. A matriarca completa apontando que a ideia das cores de fantasias precisa passar primeiro pela sua avaliação, antes de serem confeccionadas.

“Pra comprar precisa ter minha sugestão, se eu gostei, se eu não gostei… Se eu disser que não gostei, não compra”, diz dona Maria, entre gargalhadas.

O bloco segue pelas ruas da cidade com um guarda-sol, apito e fantasias idênticas na tradicional fila indiana. Eles desfilam no domingo e terça de Carnaval e contam com pouco mais de cem integrantes. Este ano, o bloco saiu com duas fantasias para comemorar as três décadas de folia.

Luís, dona Maria e Igor posam pra foto em frente a sede do bloco.

O responsável pelo grupo, Luís Mario, filho de dona Maria, enfatiza o crescimento do bloco nos últimos 30 anos, destacando o esforço para manter viva a tradição de mascarados no município. “Agente vai segurando com muita dificuldade o tempo todo. Espero que a prefeitura não deixe acabar o nosso carnaval porque cada dia que passa a máscara de Carnaval aqui em Madre de Deus está acabando. A gente andando pelas ruas, a gente vê pouquíssimos blocos de mascaras, seria bom se tivéssemos mais blocos para embelezar o nosso carnaval”, diz, acrescentando que no passado haviam muitos grupos mascarados na cidade.

Para Luís, o município precisa ter um Carnaval que comece mais cedo e possa contemplar toda sua extensão cultural. “O carnaval era pra começar [durante] o dia porque tem muitas crianças que gostam de brincar e a noite não brincam. Era pra ter mais blocos no dia, eles começam nosso carnaval 4h da tarde, 5h da tarde. Quando dá meia noite acaba. Se sair no dia, não vê bloco na rua, e antigamente a gente tinha o dia [todo] no nosso carnaval”, disse.

“Fico assim analisando esses tipos de coisas, que eu não sei como o pessoal está deixando acabar a nossa tradição em Madre de Deus que é o nosso carnaval. Você vai em muitos municípios aí, você não vê mais blocos assim de máscara, blocos de criança, Madre de Deus tinha tudo isso”, lembra ao descrever como uma situação “muito triste”.

Segundo ele, o carnaval da cidade está restrito aos trios que percorrem a Francisco Leitão durante a noite e “durante o dia você não vê nada”.

Ainda conforme Luís, deveria ter mais agentes de trânsito próximo as correntes para abaixa-las para que blocos que desfilam em outras ruas passam passar.

“Hoje as ruas todas são fechadas de correntes. Gente não é assim não! O carnaval é tradição, o carnaval em Madre de Deus não pode deixar acabar. Espero que algum gestor que entre tome conta disso aí”, diz.

Gustavo de Almeida, de 41 anos, participa da folia com os Flechas de Ouro há 10 anos e classifica o bloco como “uma família”.

“O bloco prega sempre respeito, carinho, amizade e união com todos. Não só no bloco, mas com aquelas pessoas que vem e pedem pra tirar uma foto com a gente, aquela pessoa que sai de sua casa, quando ver o apito dos flechas soar, que sai na porta para fazer uma filmagem e aplaudir”, diz, acrescentando que existe respeito mútuo dentro do grupo, sobretudo, com a população.

A reportagem também conseguiu registrar a imagem da única integrante feminina dos Flechas de Ouro, a pequena e tímida Beatriz Souza, de 10 anos, permitiu ser fotografada após muita insistência, deixou o pai, Alberto, orgulhoso. Ele ressalta que sai no bloco há cerca de 20 anos e que durante uma das folias conseguiu registrar uma imagem de seu filho, quando tinha apenas meses de nascido. Klaiver Macedo, de 20 anos, atualmente participa do bloco ao lado do pai.

A única integrante feminina dos Flechas de Ouro, a pequena Beatriz Souza, de 10 anos, esboça um tímido sorriso.
Klaiver Macedo, de 20 anos, participa atualmente da folia com o pai, Alberto.
Bloco Flechas de Ouro saindo da sede para o segundo dia desfile na terça-feira (25).
Bloco Flechas de Ouro comemorou 30 anos de folia no último domingo (24).