‘Eu vou salva-lo’, diz pai que doa fígado para filho em Porto Alegre

Victor Gregorio descobriu que o filho precisava de um transplante logo aos dois meses de vida.

Victor observando o filho, que com dez meses já fez dois transplantes (Foto: Reprodução/RBS TV)

Pela primeira vez, Victor Gregorio, de 20 anos, vai celebrar o Dia dos Pais com o filho João, de 10 meses. O local onde a data será celebrada, no entanto, é inusitado: um hospital de Porto Alegre.

Isso porque a família descobriu que o menino tinha um problema que impedia o fígado de se comunicar com o intestino e a solução era um transplante. Nessa hora o pai não pensou duas vezes e se prontificou para ser doador.

“Eu vou salvar meu filho. Seja o que for possível, eu vou salva-lo”, disse Victor Gregorio.

A família se mudou de Florianópolis para Porto Alegre em março deste ano para a realização da cirurgia. O pai não se preocupou com os riscos do procedimento, nem avaliou as dores e as cicatrizes.

“Só ver o sorriso dele para mim é demais”, garantiu.

Mas o transplante com o fígado do pai teve complicações e os médicos precisaram fazer de novo a cirurgia há três semanas. Dessa vez com o órgão de um doador morto.

Mesmo jovem, o pai já entendeu que a vida é frágil e hoje só agradece a saúde do filho.

“Eu te amo cara, eu te amo”, afirmou Victor ao pequeno João.

Victor observando o filho, que com dez meses já fez dois transplantes (Foto: Reprodução/RBS TV)

Pra fazer um transplante é preciso encontrar um doador compatível. Dos 184 transplantes de fígado feitos em crianças no Hospital de Clinicas de Porto Alegre, sete são uma doação de pai para filho.

O primeiro caso de transplante intervivos do Rio Grande do Sul teve como doador um pai. Foi o marceneiro Elson Paiva, que hoje comemora o sucesso da cirurgia do filho realizada há 15 anos.

Na ocasião, Guilherme recebeu parte do fígado do pai em um procedimento realizada pela equipe do programa de transplantes hepático infantil do Hospital das Clínicas.

“É uma cumplicidade dessas famílias. É uma coisa que emociona, muita bonita”, relata a médica Sandra Vieira, coordenadora do programa de transplantes hepáticos infantis.

Até hoje Guilherme faz consultas semestrais com os médicos e o pai sempre ao lado torce pelo futuro do filho cheio de saúde.

“Se tivesse que doar de novo três, quatro vezes eu doaria de novo sem medo de nada”, conta.

Para comemorar a vitória desses pais e celebrar a vida, a equipe de médicos levou Elson para conhecer Victor. O encontro emocionou até quem está acostumado a trabalhar todos os dias para dar a chance de histórias como essas acontecerem.

Victor e Elson se encontraram no hospital (Foto: Reprodução/RBS TV) Via G1.

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