
O vereador André da Limpeza criticou, durante sessão nesta terça-feira (2) na Câmara de Madre de Deus, as demissões na área da limpeza urbana e da reciclagem do município.
Segundo o parlamentar, 21 trabalhadores estão em aviso prévio, o que ainda permitiria a reversão dos desligamentos.
No pronunciamento, André afirmou que foi procurado por trabalhadores e moradores após a notícia dos cortes.
Ele disse que a situação também chegou ao conhecimento de outros vereadores e criticou a forma como as demissões foram encaminhadas.
“Acho que a forma não é essa. Fico triste ao ver que toda vez que passamos por uma crise, o primeiro corte é no braço do trabalhador”, afirmou.
O vereador também disse que não responsabiliza supervisores e encarregados da limpeza urbana pelas demissões.
Segundo André, esses profissionais apenas cumprem determinações superiores.
Ele afirmou que conhece a rotina da área e que muitos trabalhadores da limpeza acompanham a vida política do município, especialmente em períodos eleitorais.
Em outro trecho da fala, André disse que o corte atinge quem mais precisa do emprego e defendeu que a redução de gastos comece por outras áreas da administração.
“Fico indignado porque, toda vez que tem uma crise, corta-se na carne do mais fraco, do trabalhador que mais precisa. Vamos começar de cima para baixo? Vamos começar a cortar a gasolina de secretário?”, questionou o vereador, sob aplausos de presentes no plenário.
O parlamentar afirmou ainda que conversou com o secretário de Serviços Públicos, Zé Maria, sobre a situação.
Segundo André, o faturamento da empresa responsável pelo serviço seria de R$ 1,15 milhão e, com uma queda de 25% na receita, passaria para cerca de R$ 970 mil.
Para o vereador, a diferença no contrato não deveria ser resolvida com a demissão dos trabalhadores.
André disse que fez um levantamento e estimou que o custo dos 21 funcionários seria de aproximadamente R$ 90 mil para a empresa.
O vereador também apresentou uma conta sobre o possível impacto das demissões na operação da limpeza urbana.
De acordo com André, a empresa teria 113 pessoas no quadro, sendo 13 afastadas pelo INSS. Com isso, restariam 100 trabalhadores ativos.
Ainda segundo o parlamentar, caso as 21 demissões sejam mantidas, o número cairia para 79. Desse total, 15 estariam de férias e 18 atuam na área administrativa, o que deixaria apenas 46 pessoas na operação.
André questionou se esse efetivo seria suficiente para manter o serviço na cidade.
“Vai dar para fazer a limpeza da cidade? Não vai dar para fazer a limpeza da cidade”, disse.
O vereador afirmou que encaminhou um relatório ao secretário Zé Maria e que recebeu a informação de que o caso seria levado ao prefeito e à empresa para tentar reverter a situação.
“Essas pessoas estão no aviso prévio, então ainda tem como reverter essa situação”, afirmou o parlamentar.
André também citou que dois equipamentos teriam sido retirados da operação, mas não detalhou quais.
Para ele, além do impacto sobre os trabalhadores, os cortes podem prejudicar o andamento da limpeza urbana em Madre de Deus.
Até a publicação desta reportagem, não havia confirmação pública da Prefeitura de Madre de Deus sobre eventual revisão das demissões citadas pelo vereador.

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