Perícia desmente versão de policiais no caso de artista plástico morto em Candeias

Manoel Arnaldo dos Santos Filho, conhecido como Nadinho, foi morto dentro de casa, na cidade de Candeias.

Paróquia de Candeias emitiu nota pesar pela morte do artista plástico (Foto: Reprodução/Facebook)

Os três policiais militares envolvidos na operação que matou o artista plástico Manoel Arnaldo dos Santos Filho, conhecido como Nadinho, no município de Candeias, região metropolitana de Salvador, foram indiciados por homicídio doloso (quando há a intenção de matar) pela Polícia Militar da Bahia (PM-BA). Edvaldo Nunes, Leandro Xavier e Dinalvo dos Santos já eram alvo de denúncia instaurada pela Polícia Civil em junho deste ano.

Segundo a PM, a versão apresentada pelos policiais para o momento do crime é de que o artista plástico teria confrontado os agentes e disparado tiros. A versão, no entanto, não conseguiu ser comprovada pela perícia.

“Os policias afirmaram que encontraram uma arma junto com Manoel, porém foi comprovado que a arma que eles entregaram alegando ser de propriedade do artista plástico não foi disparada em nenhum momento”, afirmou o corregedor-geral da PM, coronel Barbosa.

A família alega que a versão oferecida pelos policiais não procede. “Meu pai nunca teve uma arma. Ele sequer deixava os filhos brincarem com arma de brinquedo. Os criminosos querem vender a imagem de meu pai como marginal, mas isso não é verdade. Meu pai é um homem bom, um ótimo pai, um homem honesto. Estamos lutando para inocentar um inocente e isso é muito injusto”, disse a filha do artista plástico, a pedagoga Márcia Cristina Marinho.

A denúncia por homicídio doloso é resultado do Inquérito Policial Militar instaurado pela corporação em 21 abril deste ano, mesmo dia do crime, e que foi concluído em 20 de junho. Além disso, os três agentes da corporação responderão a Processo Administrativo Disciplinar (PAD), que será instaurado nos próximos dias e que pode resultar na expulsão dos policiais da corporação.

O resultado do inquérito foi divulgado na tarde desta quarta-feira (25), pelo corregedor-geral da Polícia Militar da Bahia (PM-BA), coronel Barbosa Neto, em coletiva de imprensa realizada no Quartel do Comando Geral da PM-BA , nos Largo dos Aflitos, centro da capital baiana.

O inquérito será encaminhado para a 8° Promotoria Criminal de Justiça Militar do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), que pode oferecer ou não a denúncia à Justiça.

O documento reúne os depoimentos dos acusados, versões das testemunhas e laudos periciais. De acordo com a PM-BA, está pendente no inquérito o laudo de reprodução simulada, (reconstituição do crime), realizada pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT).

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