EUA e Irã avançam em negociação, mas acordo ainda esbarra em impasse nuclear

Trump diz que conversas estão perto de um entendimento; Teerã afirma que pacto não é iminente, enquanto Israel reage com cautela.

Estados Unidos e Irã sinalizaram avanços nas negociações para um acordo que pode encerrar quase três meses de guerra, mas ainda não há confirmação de um entendimento final.

As conversas envolvem o programa nuclear iraniano, o estoque de urânio enriquecido mantido por Teerã e a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo e gás.

No sábado (23), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo mais amplo estava “em grande parte negociado”.

Apesar do tom otimista, ele disse que Washington não vai se precipitar e que o bloqueio aos portos iranianos permanecerá em vigor até que um acordo seja concluído.

Em publicação na Truth Social, Trump afirmou que qualquer entendimento precisa atender às exigências americanas.

Nesta segunda-feira (25), ele voltou a dizer que as negociações estão “progredindo bem”, mas indicou que os Estados Unidos podem adotar outro caminho caso a diplomacia fracasse.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, também reconheceu avanços.

Segundo a Reuters, Rubio afirmou que houve progresso significativo, mas não definitivo, e que os Estados Unidos estão preparados para conversas mais profundas sobre o programa nuclear iraniano caso Teerã reabra o Estreito de Ormuz.

Proposta em discussão

A negociação envolve um possível memorando de entendimento, que funcionaria como um roteiro para resolver os pontos pendentes.

Segundo informações divulgadas pela CNN, um acordo-quadro poderia estabelecer prazo de 60 dias para que as partes cheguem a um pacto final.

Entre os pontos em debate estão a reabertura do Estreito de Ormuz, o futuro do urânio enriquecido do Irã, eventual alívio de sanções e garantias de segurança.

A Associated Press informou que autoridades regionais indicam que a proposta pode incluir a entrega do estoque de urânio altamente enriquecido e a retomada da navegação no estreito, mas os detalhes e prazos ainda seguem em negociação.

O Catar também aparece como palco das conversas diplomáticas.

Representantes iranianos estiveram em Doha para discutir os termos do possível acordo com autoridades locais, em uma tentativa de manter aberta a via diplomática.

Irã nega acordo iminente

O governo iraniano reconhece avanço nas conversas, mas nega que um acordo esteja prestes a ser fechado.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que houve um “grau de entendimento” em algumas questões, mas destacou que permanecem divergências relevantes.

A agência estatal iraniana Tasnim informou que Teerã não aceitou novas medidas sobre seu programa nuclear como parte das tratativas.

O ponto é sensível porque os Estados Unidos querem garantias de que o Irã não terá acesso a uma arma nuclear, enquanto Teerã resiste a abrir mão de áreas consideradas estratégicas.

Israel reage

Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que o Irã “jamais terá uma arma nuclear”.

A declaração foi feita em reação aos relatos de um possível acordo entre Washington e Teerã.

A oposição israelense também criticou a proposta em discussão.

O ex-primeiro-ministro Yair Lapid afirmou que o acordo seria ruim para Israel e para a região, por considerar que temas como o programa de mísseis iraniano e o apoio de Teerã a grupos armados ainda não estariam plenamente resolvidos.

Acordos de Abraão entram na negociação

Trump também passou a defender que um eventual acordo com o Irã inclua a adesão de novos países aos Acordos de Abraão, iniciativa de normalização de relações com Israel lançada em seu primeiro mandato.

Entre os países citados estão Arábia Saudita, Turquia, Catar, Paquistão, Egito e Jordânia.

A proposta amplia o alcance político da negociação. Na prática, o debate deixa de tratar apenas do fim da guerra e passa a envolver uma tentativa de reorganização diplomática mais ampla no Oriente Médio.

Até o momento, não há anúncio de acordo definitivo. As partes indicam avanço, mas os principais impasses seguem concentrados no programa nuclear iraniano, no Estreito de Ormuz, no alívio de sanções e nas garantias exigidas por Estados Unidos, Irã e Israel.

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