
A trajetória de Vinícius Antônio, 34 anos,morador de Madre de Deus, é marcada por quedas duras, e uma reconstrução rara.Ele embarcou para lutar: representar a Bahia e o Brasil no Mundial de Jiu-Jitsu na Tailândia.
“Vinícius antes do tatame… era um nada, era um zero à esquerda. Uma pessoa sem futuro, sem caráter. Uma pessoa que não tinha expectativa de vida, não tinha expectativa de vencer”, contou.
Segundo ele, a vida que levava o levou a situações extremas. “Passei três anos morando na rua. Dormi debaixo da ponte, comi lixo. Fui mendigo. Fiquei jogado no Porto do Mirim, na droga.”
Nesse período, Vinícius diz ter passado pela prisão e envolvimento com o crime — até o episódio que mudaria tudo. Ele conta que, após um confronto com a polícia, foi baleado quatro vezes e chegou a ser dado como morto:
“Quando eu saí do presídio, aconteceu um assalto… tomei tiro no abdômen, tomei tiro dentro do olho, tomei tiro debaixo da axila. Foram 30 tiros, mas só pegou quatro. Ali eu fui a óbito. Me jogaram entre outros cadáveres. Quando foram fazer autópsia, eu comecei a me mexer.”
Vinícius afirma que foi levado para cirurgia, perdeu a visão e parte dos movimentos, e ouviu no hospital uma frase que o marcou:
“Se apegue a Deus.”
Ele diz que os médicos chegaram a afirmar que sua sobrevivência era um milagre.
A virada na vida começou ali. E ele não esconde o papel da fé e da família no processo.
“Hoje eu tenho uma família linda, abençoada. Tenho dois filhos homens, duas filhas meninas, uma que nasceu recente… Sem droga, sem crime, sem coisa errada. Só abraçar o mundo pra fazer o bem. Aí a minha família começou a me admirar.”
No tatame, ele encontrou mais do que esporte, encontrou disciplina e um lugar de pertencimento.
“Quando eu subo no tatame pra disputar um campeonato, eu apago tudo da minha mente. Só foco no meu oponente. Porque se eu passar por aquele ali, eu vou subir mais um patamar.”
Vinícius descreve que a transformação veio de dentro para fora.
“Eu comecei a ser mais paciente, mais amoroso, mais leal comigo mesmo. Comecei a ver o que muitos não veem.”
Agora, ele mira o pódio em outro continente. Vinícius embarcou na segunda-feira rumo à Tailândia, onde disputa o Mundial de Jiu-Jitsu, em mais um capítulo que ele faz questão de assinar do próprio jeito:
“É capaz a pessoa viver uma nova vida.
É capaz a pessoa mesmo reescrever a sua história.”

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