Dino lê ofensa recebida na ouvidoria do STF:’Rocambole do inferno’

Durante sessão do Supremo, ministro expõe comentário ofensivo e alerta sobre o avanço do discurso de ódio nas redes e seus reflexos na sociedade.

Dino usa resposta da Meta para ironizar restrições a passaportes de ministros do STF-Foto:Gustavo Moreno/STF

📰 Durante sessão no Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira (22), o ministro Flávio Dino leu um comentário ofensivo que recebeu por meio da ouvidoria da Corte. No texto, ele foi chamado de “rocambole do inferno”.

⚖️ A declaração ocorreu enquanto Dino apresentava seu voto no julgamento de duas ações que discutem a criação de cargos operacionais nos tribunais de contas dos Estados de São Paulo e Goiás. O ministro destacou o episódio como exemplo do clima de ódio que se espalha pelas redes sociais e impacta as instituições.

🗣️ “Recebi hoje, pela ouvidoria do Supremo, uma mensagem muito gentil, de um cidadão”, ironizou Dino antes de reproduzir parte do texto, que também fazia acusações e ofensas a artistas e figuras públicas como Gilberto Gil, Caetano Veloso e Dilma Rousseff. “O ladrão, esse bandido, estava nas ruas pedindo anistia para ladrão de banco, assassinos”, emendou.

“Que eu estava em 1979 pedindo anistia pra essa gente nas ruas, eu tinha 11 anos. Eu posso garantir que eu estava jogando bola e brincava de carrinho. Mas o cidadão diz que eu sou um ‘canalha’ e ‘rocambole do inferno’”, relatou.

🎭 O ministro reagiu com bom humor ao trecho inusitado da mensagem. “Achei até criativo, meio poético. Vou perguntar à minha esposa o que ela acha. Provavelmente ela dirá: ‘Você é meu rocambole, mas não do inferno’”, comentou, arrancando risos discretos.

⚠️ Apesar do tom descontraído, Dino ressaltou a gravidade do episódio. O comentário, que não trazia identificação, também dizia que ele “deveria apanhar até perder os dentes”. O ministro alertou sobre os efeitos desse ambiente tóxico, que transcende o espaço digital.

🔍 “O espírito do tempo é de cultivo de ódios e delírios, numa escala criminosa e delituosa. Isso não fica restrito às redes. As palavras ganham densidade, penetram na mente das pessoas e se transformam em força material, com consequências práticas. Precisamos levar isso em conta ao julgar”, concluiu Dino.

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