Lula diz que governador do Rio deve prender “ladrões” e “milicianos”

Presidente fez a declaração durante evento da Fiocruz e disse que Ricardo Couto deve usar o período no cargo para enfrentar grupos criminosos no estado.

Lula e Ricardo Couto participaram de evento na Fiocruz, no Rio de Janeiro — Foto: Reprodução/Canal Gov

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou, neste sábado (23), que o governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, atue para prender “ladrões” e “milicianos” que, segundo ele, influenciaram a política do estado nos últimos anos.

A declaração foi feita durante a inauguração da nova sede do Centro Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz, na capital fluminense.

No discurso, Lula afirmou que Couto assumiu o Palácio Guanabara em um momento excepcional da política do Rio e disse que o governador interino tem a chance de adotar medidas que, na avaliação do presidente, não foram tomadas por gestões anteriores.

“Ninguém está esperando que você faça um viaduto, uma ponte, uma praia artificial. Sabe o que as pessoas esperam de você? Trabalhe para prender todos os ladrões que governaram este estado e os deputados que fazem parte de uma milícia organizada”, afirmou Lula, segundo o g1.

Quem é Ricardo Couto

Ricardo Couto é desembargador e presidente licenciado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele assumiu o governo do estado em março, após a renúncia de Cláudio Castro (PL).

A posse ocorreu pela linha sucessória prevista na Constituição estadual, em um cenário de vacância nos cargos de governador e vice-governador.

Lula lembrou que Couto não foi eleito para o cargo, mas afirmou que ele pode usar o período no governo para enfrentar a violência e a influência do crime organizado no estado.

“Então, você, que não precisou pedir voto, aproveite estes seis meses que tem. Faça o que muita gente não fez em dez anos neste estado”, disse o presidente.

Segurança pública

Durante o evento, Lula afirmou que o governo federal vai apoiar o Rio de Janeiro em ações de segurança pública. O presidente citou a lei de enfrentamento a facções criminosas e voltou a defender maior participação da União no setor.

Lula também mencionou a proposta de recriação do Ministério da Segurança Pública, medida que depende de avanço no Senado. O presidente tem cobrado o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para dar andamento à proposta.

No discurso, Lula disse que o Rio não pode ser conhecido apenas pela violência.

“Não é possível este estado poderoso e bonito ser governado por miliciano. O povo do Rio não merece isso”, afirmou.

Crítica à crise política no Rio

O presidente também fez referência à tentativa de realizar uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro para definir o sucessor de Cláudio Castro. A movimentação acabou barrada por decisões judiciais.

Lula afirmou que, se a escolha tivesse ficado a cargo da Assembleia, o estado poderia repetir práticas políticas que, segundo ele, contribuíram para a crise no Rio.

A fala teve tom de cobrança direta a Couto. Para o presidente, o governador interino deve aproveitar o período no cargo para marcar posição no enfrentamento a grupos criminosos e à influência política das milícias.

“Netflix brasileira”

No mesmo evento, Lula anunciou que pretende voltar ao Rio de Janeiro no próximo fim de semana para lançar o Tela Brasil, programa que vai disponibilizar gratuitamente produções nacionais.

Segundo o presidente, a plataforma deve reunir cerca de 500 filmes brasileiros.

“Vamos disponibilizar 500 filmes brasileiros para que o povo possa assistir de graça. É a nossa Netflix, a Netflix brasileira”, disse Lula.

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